FetalBox/sFlt-1/PlGF + PR Oftálmico
v1.0

Pré-eclâmpsia · ISUOG · SMFM · ACOG

Algoritmo sFlt-1/PlGF + PR Oftálmico

Estratificação de risco de pré-eclâmpsia combinando o biomarcador angiogênico (razão sFlt-1/PlGF) com o Doppler da artéria oftálmica materna (PR oftálmico, metodologia FMF/Nicolaides).

Razão entre 2º e 1º pico sistólico — não confundir com IP tradicional (direção oposta).

Tabela de referência completa

sFlt-1/PlGFPR Oftálmico (PSV-ratio)Interpretação
≤ 38< 0,61Muito baixo risco
≤ 380,61 – 0,75Baixo risco com vigilância
38 – 85< 0,61Risco intermediário-baixo
38 – 850,61 – 0,75Risco intermediário
38 – 85≥ 0,75Risco intermediário-alto
> 85< 0,61Risco alto-intermediário (discordante)
> 850,61 – 0,75Risco alto
> 85≥ 0,75Risco muito alto

Aviso clínico

Esta calculadora é uma ferramenta de apoio à decisão clínica, não um dispositivo médico certificado. O método aqui implementado não foi submetido a aprovação regulatória para uso diagnóstico autônomo.

O resultado não estabelece diagnóstico nem define conduta obstétrica. A avaliação clínica completa requer integração com outros parâmetros.

A decisão sobre conduta clínica é responsabilidade exclusiva do médico assistente, baseada em julgamento clínico individualizado, diretrizes vigentes do serviço e discussão com a paciente. Use os resultados com prudência e como uma das informações entre várias.

Referências e metodologia

  • sFlt-1/PlGF: índice angiogênico materno — reflete o desequilíbrio entre fator antiangiogênico (sFlt-1) e pró-angiogênico (PlGF) na disfunção placentária.
  • PR oftálmico (PSV-ratio): razão entre o 2º e o 1º pico sistólico da artéria oftálmica materna — valores maiores indicam maior resistência vascular e maior risco de pré-eclâmpsia.
  • Atenção — não confundir com IP tradicional: o índice de pulsatilidade (IP) clássico da artéria oftálmica se comporta na direção oposta ao PSV-ratio (IP mais baixo = maior risco, por vasodilatação cerebral compensatória). Este calculador usa o PSV-ratio (metodologia FMF/Nicolaides), que demonstrou desempenho diagnóstico superior ao IP tradicional, à pressão arterial média e aos marcadores séricos (PlGF, sFlt-1) isoladamente na predição de pré-eclâmpsia pré-termo e a termo — mesmo após ajuste para peso materno, idade e uso de anti-hipertensivos (Nicolaides, Sarno & Wright 2022; Sapantzoglou et al. 2021).
  • Técnica de medição do PR oftálmico: avaliação Doppler bilateral (ambos os olhos) com transdutor linear de alta frequência (7,5 MHz). Sequência recomendada: olho direito, esquerdo, direito, esquerdo — 4 ondas de fluxo (2 por olho). PR = 2º pico sistólico (P2) ÷ 1º pico sistólico (P1); usar a média das 4 medições (Puspitasari et al. 2025; Sapantzoglou et al. 2021).
  • Cortes isolados de PR e P2 oftálmico (Diniz et al. 2022): estudo caso-controle (133 pré-eclâmpsia vs. 135 saudáveis, IG ≥ 20 sem). PR ≥ 0,70 — acurácia 88,72%, sensibilidade 81,95%, especificidade 95,48%; PR ≥ 0,75 — acurácia 86,84%, sensibilidade 74,43%, especificidade 99,24% (AUC PR = 0,97). P2 ≥ 21,5 cm/s — acurácia 87,59%, sensibilidade 84,96%, especificidade 90,22% (AUC P2 = 0,92). A combinação PR ≥ 0,70 + P2 ≥ 21,5 cm/s atinge acurácia 92,48%, sensibilidade 95,49%, especificidade 89,47% e VPN 95,29% — superior a qualquer um dos marcadores isolados. Demais índices (IR, IP, PSV, EDV) tiveram acurácia <80%.
  • AUC de meta-análise (de Melo et al. 2023): AUC 0,885, sensibilidade 84%, especificidade 92% — estimativa agrupada de múltiplos estudos (revisão sistemática), distinta do AUC de 0,97 de um único estudo (Diniz et al. 2022).
  • PR e pressão arterial (Lau et al. 2022, UOG): em gestantes hipertensas, o PR oftálmico caiu junto com a PA após tratamento anti-hipertensivo agudo, correlacionando principalmente com PA diastólica/PAM (não com PA sistólica). A correlação desaparece quando a PA é controlada (<140/90 mmHg) — o PR reflete também o estado hemodinâmico agudo, não apenas um traço fixo da gestante.
  • Cortes isolados de sFlt-1/PlGF (PROGNOSIS/Zeisler): para referência complementar à matriz combinada — <34 sem: ≤33 descarta PE (sensibilidade ~95%), ≥85 confirma PE (especificidade ~99,5%); ≥34 sem: ≤33 mantém alto VPN, ≥110 indica risco elevado (especificidade ~95,5%).
  • Aplicabilidade: usar sempre em conjunto com avaliação clínica e demais parâmetros. Reavaliar regularmente, especialmente em resultados discordantes. Decisões de conduta devem considerar idade gestacional e estabilidade materno-fetal.
  • Referências — sFlt-1/PlGF: Zeisler H, et al. Predictive Value of the sFlt-1:PlGF Ratio in Women with Suspected Preeclampsia. N Engl J Med. 2016;374(1):13-22.
  • Referências — Doppler da artéria oftálmica:
    Nicolaides KH, Sarno M, Wright A. Doppler da artéria oftálmica na predição da pré-eclâmpsia. American Journal of Obstetrics and Gynecology. 2022.
    de Melo PFMV, Roever L, Mendonça TMS, et al. Doppler da artéria oftálmica no diagnóstico complementar da pré-eclâmpsia: uma revisão sistemática e meta-análise. BMC Pregnancy and Childbirth. 2023.
    Diniz ALD, Menêses VFSC, Freitas MAR, Paes MMBM, Naves WU, Sass N. Performance of ophthalmic artery Doppler velocimetry in the complementary diagnosis of preeclampsia. Journal of Maternal-Fetal & Neonatal Medicine. 2022;35(25):9078-9085.
    Lau KG, Baloi M, Dumitrascu-Biris D, Nicolaides KH, Kametas NA. Changes in ophthalmic artery Doppler during acute blood-pressure control in hypertensive pregnant women. Ultrasound in Obstetrics & Gynecology. 2022;59:185-191.
    Puspitasari MK, Siddiq A, Virgana R, et al. Análises hemodinâmicas da pré-eclâmpsia: comparação dos índices de resistência das artérias oftálmica e uterina. Medical Science Monitor. 2025.
    Sapantzoglou I, Wright A, Arozena MG, et al. Doppler da artéria oftálmica em combinação com outros biomarcadores na predição de pré-eclâmpsia entre 19 e 23 semanas de gestação. Ultrasound in Obstetrics & Gynecology. 2021.
    Lau KGY, Wright A, Kountouris E, Nicolaides KH, Kametas NA. A relação entre a velocidade sistólica máxima da artéria oftálmica e a pré-eclâmpsia diferencia a hipertensão crônica e gestacional: um estudo de coorte prospectivo. BJOG. 2022.
  • Diretrizes: Recomendações ISUOG, SMFM e ACOG.