Pré-eclâmpsia · Doppler da artéria oftálmica
PR Oftálmico por Idade Gestacional
Calcula o percentil do PR (Peak Ratio / PSV-ratio) e do P2 (2º pico sistólico) da artéria oftálmica materna para a idade gestacional, e aplica os cortes diagnósticos fixos de Diniz et al. 2022 para complementar o diagnóstico de pré-eclâmpsia. PR = 2º pico sistólico ÷ 1º pico sistólico. Valores elevados associam-se a maior risco de pré-eclâmpsia.
Percentil de PR válido 11–40 sem; P2 válido 20–41 sem.
Informar o P2 habilita o corte diagnóstico combinado (PR + P2), que tem desempenho superior a qualquer um dos dois isoladamente (Diniz et al. 2022).
Aviso clínico
Esta calculadora é uma ferramenta de apoio à decisão clínica, não um dispositivo médico certificado. O método aqui implementado não foi submetido a aprovação regulatória para uso diagnóstico autônomo.
O resultado não estabelece diagnóstico nem define conduta obstétrica. A avaliação clínica completa requer integração com outros parâmetros.
A decisão sobre conduta clínica é responsabilidade exclusiva do médico assistente, baseada em julgamento clínico individualizado, diretrizes vigentes do serviço e discussão com a paciente. Use os resultados com prudência e como uma das informações entre várias.
Referências e metodologia
- Percentil por IG: calculado por interpolação linear na tabela de referência (Kusuma et al. 2025 para PR; Diniz et al. 2025 para P2), por semana gestacional.
- Comportamento da curva de PR: não-linear — diminui de 11 semanas até o fim do 2º trimestre (~26–28 sem) e volta a aumentar até o termo (Kusuma 2025). Já a curva brasileira (Diniz 2025) mostra aumento mais linear e discreto ao longo da gestação — os dois modelos divergem especialmente no 3º trimestre.
- Diagnóstico complementar (Diniz et al. 2022): estudo caso-controle (133 pré-eclâmpsia vs. 135 saudáveis, IG ≥ 20 sem, população brasileira). PR e P2 tiveram os melhores desempenhos isolados (AUC PR = 0,97; AUC P2 = 0,92). A combinação PR ≥ 0,70 + P2 ≥ 21,5 cm/s atingiu acurácia de 92,48%, sensibilidade 95,49%, especificidade 89,47% e VPN 95,29% — superior a qualquer um dos marcadores isolados. Demais índices (IR, IP, PSV, EDV) tiveram acurácia <80%.
- PR e pressão arterial (Lau et al. 2022): em gestantes hipertensas, o PR oftálmico caiu junto com a PA após tratamento anti-hipertensivo agudo (correlação principalmente com PA diastólica/PAM, não com PA sistólica). A correlação desaparece quando a PA é controlada (<140/90 mmHg) — sugere que o PR reflete o estado hemodinâmico agudo, não apenas um traço fixo da gestante.
- Técnica de medição: avaliação Doppler bilateral com transdutor linear de alta frequência (7,5–10 MHz), paciente em decúbito dorsal, olhos fechados, sem pressionar a pálpebra, ângulo de insonação < 20°. PR = 2º pico sistólico (P2) ÷ 1º pico sistólico (P1); usar a média de 4 medições (2 por olho).
- Limitação: as equações completas da curva LMS de Kusuma 2025 apresentaram inconsistências na extração do PDF e não foram usadas — o cálculo usa exclusivamente as tabelas de percentis publicadas, com interpolação linear entre semanas.
- Referências: Kusuma RA, Rachman IT, Setyawan A, Welly A, Al Fattah AN, Nurdiati DS. Reference ranges for peak systolic velocity ratio of ophthalmic artery Doppler from first to third trimester based on serial Doppler measurements. Arch Gynecol Obstet. 2025;312:1661-1665.
Diniz ALD, Menêses VFSC, Freitas MAR, Paes MMBM, Naves WU, Sass N. Performance of ophthalmic artery Doppler velocimetry in the complementary diagnosis of preeclampsia. J Matern Fetal Neonatal Med. 2022;35(25):9078-9085.
Diniz ALD, Carneiro RdS, Peixoto AB, et al. Reference Ranges of Maternal Ophthalmic Artery Doppler in Low-Risk Pregnancies. J Ultrasound Med. 2025;9999:1-13.
Lau KG, Baloi M, Dumitrascu-Biris D, Nicolaides KH, Kametas NA. Changes in ophthalmic artery Doppler during acute blood-pressure control in hypertensive pregnant women. Ultrasound Obstet Gynecol. 2022;59:185-191.